Angola: Isabel dos Santos pondera candidatar-se às presidenciais


Isabel dos Santos admite candidatar-se à presidência da república de Angola. A empresária, filha do antigo chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, numa entrevista concedida ontem à RTP, denunciou processos políticos selectivos por parte da justiça do seu país, reagindo ao arresto das suas contas pela Procuradoria e denunciou o balanço económico do actual Presidente angolano, João Lourenço.


"Como todos os angolanos, com a chegada do Presidente João Lourenço, realmente acreditamos que seria uma nova era e uma nova Angola. Mas hoje, o que denoto é que não é", declarou a empresária nesta entrevista em que considerou que "o que se está a fazer em Angola são processos políticos, são processos que são selectivos e são processos que têm a ver com luta de poder dentro do próprio MPLA."

Ao reiterar que se considera alvo de uma “perseguição política e pessoal” por parte da justiça do seu país, por iniciativa do actual Presidente da República, Isabel dos Santos considerou que “Se nós quisermos lutar contra a corrupção em Angola devemos olhar para onde ela está” e “não podemos usar a suposta luta contra a corrupção de forma selectiva para neutralizar o que achamos que possam ser futuros adversários políticos”.

Ainda do ponto de vista de Isabel dos Santos, "hoje o MPLA tem um problema porque o balanço do MPLA, o seu balanço económico, o seu balanço social, nos últimos 2/3 anos, é um balanço muito fraco. Não apresenta resultados", sendo que ao enaltecer o legado político do anterior Presidente, seu pai, a empresária declara ter "um grande sentido de dever em relação a Angola" por este país ser a "sua pátria, o país que ama, o país onde investiu 90% da sua vida e 90% do seu capital."

Ao garantir que vai "fazer tudo para defender e prestar serviços ao seu país", Isabel dos Santos admitiu encarar a possibilidade de se candidatar às presidenciais angolanas em determinado momento.

Estas declarações de Isabel dos Santos não deixaram de suscitar reacções. Na óptica do analista político Belarmino Van-Dúnem, uma candidatura de Isabel dos Santos nas próximas presidenciais em Angola, em 2022, é pouco provável, tendo em conta a necessidade de "recuperar a imagem, colocar um ponto final nos contenciosos judiciais e, em seguida, eventualmente criar um novo partido".

No mesmo sentido, ao falar em "anúncio estratégico", o jornalista de investigação angolano Rafael Marques considerou que uma eventual candidatura de Isabel dos Santos é constitucionalmente impossível. Para o activista, ao referir encarar uma candidatura, a empresária pretende "posicionar-se porque neste momento poderá ganhar mais simpatia como perseguida política do que como uma ladra".

Todavia, ao enumerar alguns dos obstáculos a esta eventualidade, Rafael Marques explica que "não faz sentido ela falar em candidatura à Presidência da República porque, primeiro, são inelegíveis todos os cidadãos titulares de alguma nacionalidade adquirida" e por outro lado "tem de residir no país pelo menos dez anos seguidos e Isabel dos Santos, até à altura das eleições, estará fora do país por 4 anos".

O activista sublinha ainda que para ser candidata às presidenciais, a filha do antigo Presidente angolano teria que estar ligada a alguma estrutura política. "Não há eleições presidenciais independentes em Angola, a Constituição angolana forjada pelo pai dela impede candidaturas independentes e não há eleições presidenciais directas" refere Rafael Marques antes de acrescentar que Isabel dos Santos "teria de ser cabeça de lista de um partido e ela, no MPLA, nunca seria cabeça de lista e também não se vê como a Unita a teria como cabeça de lista", o jornalista angolano considerando que em Angola "só há duas forças políticas de momento com apoio popular para ser poder, o MPLA e a Unita."

De referir que no passado 30 de Dezembro de 2019, a justiça angolana ordenou o arresto de nove empresas e contas bancárias de Isabel dos Santos em Angola, sendo que no passado fim-de-semana se soube que a Procuradoria-Geral da República de Portugal está a investigar a queixa da antiga eurodeputada Ana Gomes contra operações financeiras em Portugal da empresária angolana. Através das holdings que tutela, Isabel dos Santos tem investido tanto em Angola como em Portugal em sectores tão diversos como as telecomunicações, a construção civil, a grande distribuição, a banca ou ainda o petróleo. (RFI)

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