Agricultura precisa de PMEs


“Em Moçambique não temos ainda sector privado na agricultura”, refere o Ministro de Agricultura e Desenvolvimento Rural que defende não ser este o momento para se esperar pela dinâmica das forças do mercado, para se apostar no desenvolvimento de PMEs do ramo agrícola.


Celso Correia destaca a importância dos recursos humanos locais, ou seja, gente de campo e que tem na agricultura o seu ganha pão quotidiano, como os sujeitos que devem merecer a aposta em termos de conhecimento e assistência para melhorarem os actuais índices de produtividade.

“Muito dificilmente iremos tirar alguém do conforto desta sala para ir até ao campo. Mais fácil é encontrar uma rede de produção já instalada”.

“Temos de conseguir identificar talentos, transferir conhecimento e dar acompanhamento pelo menos durante 5 anos”, disse aquele governante durante a sua intervenção no Fórum de Negócios da SADC que teve lugar semana passada em Maputo.

Conforme explicou, a ideia é de identificar pequenos agricultores, capacitá-los e financiá-los para que, juntamente com o que eles produzem nos seus campos, possam ao mesmo tempo, serem compradores da produção dos seus vizinhos, e, no fim, serem eles que depois introduzem a produção na cadeia de valores do produto até a comercialização final.

É com esses pequenos agricultores que vai a aposta do ministro, para a emergência de PMEs no sector agrícola.


Falta de mercado


Um dos grandes desafios com que se debatem as populações nas zonas rurais é a falta de mercado e consequentemente, a agricultura familiar concentra-se em prover alimentos para a família. Entretanto, onde há garantia de compra, as famílias produzem mais.

De acordo com Correia, com o surgimento dessas PMEs, o resultado imediato será o aumento de renda das famílias que estiverem ao redor destes novos agricultores comerciais.

“Se nós conseguirmos 10 mil PMEs, em termos de integração da agricultura familiar que é a matriz da nossa base produtiva, cada um deles pode de forma directa assistir 200 famílias. Estamos a falar de 2 milhões no caso de Moçambique que passariam a beneficiar destas cadeias de valor”, esclareceu o governante.


Agricultura à margem dos bancos


Correia critica ainda os bancos comerciais da região da SADC por não financiarem a agricultura.

“Ganhamos consciência que o sistema financeiro que deveria sustentar a nossa economia está alheio ao sector da agricultura. Eu como ministro da Agricultura e ex-membro deste sistema financeiro não posso criticar muito mas costumo dizer que o nosso sistema financeiro na região vive no futuro, mas no presente ainda está ausente daquilo que são as grandes preocupações da maioria da população da região”.

Mas não é justo pôr esta responsabilidade só nos responsáveis pelo sector financeiro, ao olhamos para os indicadores, no caso de Moçambique só 0,6 por cento é que tem acesso ao crédito, na região não temos estatística apurada mas os números não devem andar muito longe disso”.

“Portanto temos um sector financeiro orientado para o consumo, serviços e até para a industrialização com razões óbvias, mas a lógica de desenvolvimento, em particular do sector agrário, deve ser profundamente reflectida”, rematou. (Redacção)


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