Activistas dos direitos humanos lançam grito pela sua segurança


Adriano Nuvunga, director do Centro para o Desenvolvimento da Democracia (CDD), Moçambique

Eles pedem protecção e acção do Estado


MAPUTO — Activistas sociais moçambicanos voltam a lançar um grito de socorro, apelando ao Estado para acabar com os níveis de insegurança vivido pelos defensores dos direitos humanos. A falta de esclarecimentos ao que classificam de tentativas de silenciar o director do Centro para o Desenvolvimento da Democracia (CDD), Adriano Nuvunga, foi usado como mote para juntarem voz e clamarem pela segurança. A 15 de Agosto passado, Nuvunga recebeu na sua casa uma ameaça velada de morte.

Duas balas de uma AKM, cada uma embrulhada com um papel com nome dele escrito, voltaram a destapar o sentimento de insegurança entre os activistas sociais. “São situações recorrentes e nunca há resultados nas alegadas investigações. Nós vimos o que aconteceu com a morte do activista Anastácio Matavel. As balas encontradas lá, são balas do Estado, o que significa que, a ter que se responsabilizar alguém, devia ser o próprio Estado, mas não tem acontecido nada disto”, desabafou Naldo Chivite, activista social e coordenador do Fórum das Rádios Comunitárias.

Duas semanas depois da ameaça a Nuvunga, ainda não há qualquer dado público sobre as investigações. As autoridades policiais dizem apenas que o caso está a ser seguido. Além de lançar o grito de socorro, os activistas acusam o Estado de estar desinteressado em investigar este e outros casos de género. “É cada vez mais sério que activistas pagam com a própria vida o trabalho que fazem de estarem aí a lutar para que os outros possam gozar dos seus direitos”, afirmou Adriano Nuvunga, resumindo o momento actual do movimento associativo. Milda Cuaria, activista social que sentiu por perto o impacto das ameaças por causa do seu trabalho, diz não haver outra saída, senão apelar ao Estado para que faça valer o direito à protecção para todos. “É preciso que se entenda que o defensor dos direitos humanos não é inimigo do Estado, não é inimigo da sociedade. É importante que haja esta percepção” disse a activista, apelando as autoridades a fazerem valer o direito à vida, segurança e proteção para todos. (VoA)

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