A tragicomédia governamental no pedido de extradição de Manuel Chang à Moçambique


Por Luís Nhachote


“Temos instruções para intervir em nome do Governo de Moçambique, para opormo-nos ao solicitado pelo Forum da Monitoria do Orçamento e ao solicitado pelo Ministro da Justiça e Serviços Correcionais e trazer um contra pedido para a extradição do Sr Chang para Moçambique” -Mabunda Incorporated/Attorneys at Law



Ontem, 30 de Julho, o governo de Filipe Nyusi, numa autêntica corrida contra o tempo, remeteu um apelo ao Tribunal Supremo da África do Sul, solicitando que seja parte do processo movido pelo Fórum da Monitoria do Orçamento (FMO) onde está a contestar as pretensões destes que não querem que Manuel Chang seja extraditado para Moçambique.

O FMO é um consórcio que congrenga 19 organizações da Sociedade Civil moçambicana que se opõe a extradição do antigo ministro das finanças do consulado de Armando Guebuza para Moçambique e, para o efeito, contratou uma firma de advogados.

Por seu turno o governo também contratou uma firma de advogados naquele país quando já estava marcada, para 13 de Agosto, a audência de Chang, isto depois de Ronald Lamola, Ministro da Justiça e Serviços Correcionais ter anulado a decisão do seu antecesssor, Michael Masutha que era favoavél a extradição de Manuel Chang para Moçambique.

Dias de desespero


A detenção no passado dia 29 de Dezembro, do antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, na vizinha África do Sul se tornou num dos principais eventos noticiosos dos últimos tempos, dentro e fora de portas. Primeiro pela figura e pelo Leit Motiv da detenção: i) um ex-ministro e funcionário do ministério com uma carreira quase imaculada até a reforma; ii) detido em conexão com crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, por ordens do governo dos Estados Unidos da America. Chang esta enclausurado nas celas da cadeia de Moderbeen, no Município Metropolitano de Ekurhuleni, na Provincia de Gauteng, onde é um dos 4 500 detidos naquele estabelicimento prisional onde luta pela sua extradição para Moçambique

Na berlinda, conforme vão transpirando os factos, no cerne estão as dividas contraidas no maior dos secredos, por gente conhecida incluindo os seus domicilios, que levou a reputada firma de auditores, a Kroll, a aterrar no nosso país para aferir o grau do calote que expoe a nú toda a fragilidade de um sistema putrefacto que se consolidou na base do clientelismo, do nepotismo e da corrupção sem freios.

A factura da Kroll, ao trabalho ofertado a nossa ZELOSA Procuradoria Geral da República (PGR), foi paga com fundos dos contribuintes suecos, que estupefactos, queriam nos ajudar a compreender sobre a engenharia dessa “bolada” engedrada às portas da saida de Armando Emilio Guebuza do seu consulado ‘Presidencial/empresarial’.

Quando escrevemos sobre os perigos adjacentes do modelo de governação ‘politico/boladas’, vigentes nessa epóca, no léxico político nacional, foram introduzidas, em forma de retórica, por Guebuza expressões como: “tagarelas”, “apóstolos da desgraça”, “vamos continuar a irritá-los”, “marginais”, “inimigos do desenvolvimento”, “agitadores profissionais” entre outros adjectivos.

Guebuza, na saida, em entrevista ao semanário dominical disse esperar ser “lembrado como amigo do povo”, já foi humilhado publicamente quando ia visitar ente-queridos num dos cemitérios da capital ao ser vaiado e apupado por mirones com epitetos como “Muhiwe” “Gatuno”!!!!

A detenção do seu ex-ministro, representa um duro golpe aos anos do seu consulado. O seu homem do “cofre” foi detido e, manda a logica do pensamento circular que AEG não podia estar à leste dos acontecimentos, tanto mais é que os seus rebentos foram consultores dessa “bolada”. O inicio do consulado de Filipe Nyusi, praticamente uma escolha de Guebuza para seu sucessor, foi bicéfala de quem parecia querer ter o controle do eventual escândalo que não é mais possivel esconder. Foram os seus pares nas hostes partidárias que o forçaram a largar a presidência do partido numa histórica sessão do Comite Central. Nyusi ocupou a pasta de minsistro da Defesa no último consulado de Guebuza e, ao ser apontado como sucessor, abriram-se as neblinas da suspeição de que era para se abafar o escândalo ainda em segredo !


Novo contrato social precisa-se


Uma atabalhoada Frelimo não consegue disfarçar do imaginário de ver Manuel Chang num tribunal de Brooklin, no estado de Nova Iorque, onde o aguarda um grande júri. As ideias várias vezes ventiladas da necessidade da revisão da lei mãe, da nossa biblia constitucional, pode ser parte da solução para a construção de um novo contrato social de que o pais tanto precisa. Este contrato social, pode estar a salvação de um Nyusi que consistiria em: i) a separação de poderes efectiva entre o executivo e judiciário, ii) a independencia “total e completa” dos centros de saber e de pensamento (universidades), iii) a introdução no curriculo de ética. E finalmente, à nossa moda, a necessária coragem para destruir os ninhos de vespas, os covis de víboras, que se entronizaram nas entranhas do poder. Esta corrida do governo da Frelimo, de resgatar Manuel Chang tem todos os condimentos de tragicómedia. Caberá aos moçambicanos escolher entre rir e chorar....

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