A primeira linha de defesa contra a COVID-19 está fora do alcance de muitos


Sob o lema “Mãos Limpas para Todos”, celebra-se hoje, 15 de Outubro, o Dia Mundial da Lavagem das Mãos. A data é usada para promover a elevação da consciência, compreensão e advocacia em torno da importância da lavagem das mãos com água e sabão como elemento fundamental para uma boa saúde e desenvolvimento.

O tema escolhido para este ano centra-se na importância da equidade da lavagem

das mãos, sobretudo, considerando o contexto particularmente desafiador que o

mundo está a viver, caracterizado pela prevalência da pandemia da COVID-19, uma

doença que veio destacar o papel crítico que a higiene das mãos desempenha na

transmissão de doenças e a necessidade de todos tomarmos medidas imediatas

sobre a higiene das mãos em todos os ambientes públicos e privados para

responder e controlar a pandemia.

Igualmente, o tema lembra-nos a necessidade de se aproveitar o momento actual

para fazer da higiene das mãos um pilar nas intervenções de saúde pública durante

e no pós pandemia e criar uma cultura de higiene das mãos. A lavagem das mãos

com água e sabão deve se tornar uma preocupação de todos, tendo em conta que é

a primeira linha de defesa contra a COVID-19. No entanto, para tantas pessoas,

está fora de alcance.

Apesar dos esforços do Governo em melhorar as condições de acesso à água,

saneamento e higiene no País, 55% dos agregados familiares não têm local para

lavar as mãos com água e sabão (Joint Monitoring Programme, 2015) e 27% dos

Centros de Saúde em Moçambique não têm acesso à água e sabão, segundo

dados do SARA - Avaliação da Disponibilidade e Prontidão dos Serviços.

Ainda no nosso País, 85% das escolas não têm local para lavar as mãos com água

e sabão (JMP 2020).

Apesar destas terríveis estatísticas, a importância do acesso à higiene e à água

potável no País tem sido preocupantemente negligenciada pelos sucessivos

governos, colocando em risco cerca de 46% da população moçambicana, ou seja,

cerca de 13 milhões de pessoas que não têm água limpa e sabão nas suas casas, e

milhões de alunos, professores e profissionais de saúde que estão na linha da frente

no combate à COVID-19.

É neste contexto que a WaterAid Moçambique, organização com fins não lucrativos

que opera em Moçambique há mais de 20 anos, exorta o Governo de Moçambique

a comprometer-se em investir no aumento do acesso aos serviços de água para a

higienização das mãos, colocando a lavagem das mãos como prioridade nas

estratégias e nos orçamentos nacionais. Acima de tudo, a WaterAid apela ao

executivo moçambicano a considerar o aumento progressivo do orçamento anual do

sector de águas, partindo de 3,5% conforme definido no plano do sector para o

alcance de água e saneamento para todos até 2030.


Adam Garley, Director Nacional da WaterAid Moçambique disse:

“Assistimos, com razão, a um enorme investimento na procura de vacinas e

tratamentos da Covid-19, mas isso não está a ser acompanhado de um verdadeiro

empenho na prevenção. Não se pode falar da lavagem das mãos, enquanto

ignoram-se milhões de pessoas que não têm água e sabão. Os dirigentes estão a

ser voluntariamente complacentes na abordagem de uma crise com décadas de

existência, impulsionada por uma desigualdade profundamente enraizada, mas que

agora ameaça a saúde de todos. Nenhum país pode afirmar ter vencido a COVID-

19 enquanto a falta de higiene e a debilidade dos sistemas de saúde lhe permitem

correr desenfreadamente por outras partes do mundo. Esta é uma ameaça para

todos nós e é tempo de a nossa resposta incluir compromissos adequados em

matéria de prevenção, bem como de cura”.

Para a WaterAid, a pandemia da COVID-19 é uma chance para se reimaginar as

abordagens no que se refere ao acesso a serviços sustentáveis de água e

saneamento e o envolvimento de todas as forças vivas da sociedade, desde o

governo, o sector privado, os parceiros de desenvolvimento, os doadores

internacionais, sociedade civil e as comunidades.


Intervenções da WaterAid em Moçambique


O contributo da WaterAid no sector de água, saneamento e higiene tem contribuído

de forma significativa para o aumento das taxas de cobertura. Com as suas

intervenções em Moçambique, abrangendo as províncias de Maputo, Zambézia,

Nampula e Niassa, a WaterAid já alcançou mais de um milhão de pessoas com

acesso à água limpa, ao saneamento decente e à boas práticas de higiene

Tudo o que a organização faz no Pais é determinado por um compromisso em

atingir o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável número 6 até 2030 – assegurar

o acesso à água e saneamento para todos. No âmbito de resposta à Covid-19, a

WaterAid esta a instalar em Maputo, 160 Sistemas de Lavagem de Mãos (SLM)

com pedestal em 63 mercados e cinco feiras; 100 SLM para 37 mercados na Cidade

de Nampula e 130 SLM (baldes com torneiras) para 20 centros de saúde em

Memba e Mossuril, incluindo, numa primeira fase, a disponibilização de detergentes

para facilitar a lavagens das mãos. Igualmente, a organização apoia os esforços do

Governo de Moçambique na sensibilização das comunidades para a prevenção da

Covid-19 atravês de campanhas usando diferentes meios, tais como redes sociais,

rádios comunitárias, outdoors, motovalas e carro móvel.


Sobre o dia Mundial de Lavagem das Mãos


O Dia Mundial de Lavagem das Mãos com Água e Sabão surgiu em 2008, quando

mais de 120 milhões de crianças em todo o mundo lavaram as mãos com sabão em

mais de 70 países. Desde 2008, líderes mundiais e nacionais usaram este dia para

divulgar a palavra sobre a lavagem das mãos e demonstram a simplicidade e o valor

das mãos limpas. Todos os anos, mais de 200 milhões de pessoas estão envolvidas

em celebrações em mais de 100 países ao redor do mundo. O Dia Mundial da

Lavagem de Mãos é aprovado por uma ampla gama de governos, instituições

internacionais, organizações da sociedade civil, ONGs, empresas privadas e

indivíduos. (Moz24h)

57 visualizações

Subscreva a nossa Newsletter

  • facebook

Ficha técnica

Director Editorial: Luís Nhachote (+258 84 4703860)

Editor: Estacios Valoi 

Redaçao: Germano de Sousa, Palmira Zunguze e Nazira Suleimane

Publicidade: Jordão José Cossa (84 53 63 773) email jordaocossa63@gmail.com

 

NUIT: 100045624

Nr. 149 GABIFO/DEPC/2017/ MAPUTO,18 de Outubro  

Endereço Av. Cardeal Don Alexandre dos Santos 56 (em Obras)

© By BEEI