“A nossa sociedade tem uma cultura de violência” - Manuel de Araújo



O acadêmico e político Manuel de Araujo considera que o processo de reformas no país é movido por violência que tende a se tornar cultural, oque não contribuí para a reconciliação nacional.

"A ideia da eleição dos governadores províncias só foi aceite depois de um segundo regresso de Afonso Dlhakama às matas. Portanto todos estes aspectos demonstram que a nossa sociedade tem uma cultura de violência, ou seja, sempre que nós queremos dar um passo qualitativo no processo da consolidação das conquistas e da satisfação das necessidades do nosso povo, o instrumento prevelegiado para alcançar este desiderato tem sido consistentemente o recurso ao uso da violência.", referiu de Araújo na conferência sobre Reconciliação Nacional organizado pela Universidade Pedagógica de Maputo.

Segundo Araújo, o primeiro passo para a reconciliação é “abandonar o paradigma da violência”.

Araújo aponta ainda o diálogo e a aceitação do outro como uma condição essencial para a reconciliação.

"A nossa sociedade é uma sociedade por natureza excludente. Nós excluimos em casa, excluimos na escola, excluimos na igreja e excluimos na sociedade.", referiu. (Moz24h)

O académico aponta a fragilidade no processo do DDR como uma potencial ameaça a paz e a reconciliação.

"O país diz que não tem dinheiro para pagar aqueles homens que foram desmobilizados. A pergunta que eu faço é: qual é o preço que nós vamos pagar daqui a cinco anos se nós não acomodarmos aqueles senhores? Podem não ser fisicamente aqueles senhores que estão aí porque já são velhos, mas os filhos, a esposa, os netos, como eles se sentem? Ludibriados pelo Estado.Isso gera conflitos. Podemos estar a semear uma nova era de conflitos e não de reconciliação".


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