A irresponsabilidade de quem devia pautar pela responsabilidade: o lado (o)culto de Comiche


Foi preciso um post, do jornalista Marcelo Mosse, para obrigar o Gabinete de Imprensa, da edilidade de Maputo, a parir um comunicado sobre a situação de Comiche. Louvamos o gesto, mas não lhe reconhecemos mérito. Não se trata, como está mais do que óbvio, dum comunicado que visa esclarecer a situação. Afirmar, por exemplo, que Comiche se submeteu aos testes depois da sentada em Londres, com o príncipe do Mônaco, que acusou positivo para coronavírus pode parecer inocente, mas não é. Pode parecer que se trata dum esclarecimento pleno, mas não é. Pode, inclusive, parecer que se trata dum gesto de cidadania, que devia caracterizar qualquer membro da urbe, mas não é. Comiche regressou de Londres e participou de encontros, inclusive em locais onde se encontrava o Presidente da República. Esteve em encontros com pessoal da Saúde.

O idoso, com 75 anos, que pode não ser Comiche regressou de Londres na mesma semana em que o edil retornou ao país. O seu caso foi confirmado ontem. Ou seja, com um atraso de pelo menos 7 dias que pode ter implicações terríveis ao longo das próximas semanas. Em países como Itália ou Espanha as primeiras mortes por Covid-19 deram-se em pessoas cujos diagnósticos não tinham sido feitos. Se temos um infectado, cujo diagnóstico foi feito 7 dias depois de pisar o solo pátrio isso sugere claramente um número maior de infectados. Gostaríamos de acreditar que Comiche não esteja infectado, que não seja ele o idoso com 75 anos e que está tudo bem com ele. Isso gostaríamos de fazer no campo dos desejos e dos nossos sonhos. A realidade e a gravidade da situação - ainda que não possamos acusar Comiche de ser o idoso de 75 anos - obriga-nos a chamá-lo de, no mínimo, irresponsável. Quando Comiche esteve em Londres já existiam nove pessoas infectadas em Londres, razão bastante para que fossem observadas todas medidas de segurança. Ou seja, o risco era enorme e a responsabilidade manda dizer que, em situações do género, observar medidas de segurança em prol do colectivo passam mais por olhar a questão do Covid-19 como um problema de colectivo. Não algo para ser tratado com a desenvoltura e descaso com que se lida com vendedores informais. Não é a vida de Comiche que está em risco, mas de todos aqueles que votaram não só nele, mas também na perpetuação - não nos esqueçamos dos esquemas urdidos no esgoto da sacanice - do partido que o escolheu. A postura de irresponsabilidade de Comichiana leva-nos a crer, com todo respeito, que a idades que por norma são abraçadas pela senilidade. Com estrada feita não se pode tratar Comiche como se faz com uma criança, mas a sua postura de expor - ainda que não esteja contaminado - o país ao risco merece o mesmo trato que ele devota aos vendedores informais. Comiche precisa de ser controlado. As pessoas que com ele privaram precisam de ser rastreadas. Os tais perto de 50 casos podem ser da responsabilidade dele e trabalham no ministério da saúde, local onde esteve, e no Governo, pessoas com as quais privou. Não testem só Comiche, mas todo executivo. Isso sim, seria uma medida responsável. Sacripantas (Moz24h)

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