A ´co-conspiração´ dos EUA contra Adriano Maleane


Por Luis Nhachote


A acusação americana num dos seus últimos affdavits apensos na acusação do Grande Júri, afirma categoricamente que vai provar que Adriano Maleiane, actual ministro da Economia e Finanças omitiu informações relativas às empresas MAM e Proindicus. Pode ser que Maleane, um figura com uma folha de serviços que fala por si (NE: Ver caixa nesta matéria), tenha omitido factos, no processo de digestão da herança deixada pelo seu antecessor Manuel Chang.

O MOZ24h fez um rastreio a algumas acções de Maleine, enquanto Governador do Banco de Moçambique que num passado recente deixaram de cabelos eriçados, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), duas instituições da Bretton Woods, cujos escritórios centrais estão sediados em Washigton DC, o epicentro de decisões que determinam a placa giratória da alta finança internacional. Essas acções podem estar a ser retaliadas...pelos "Gringos"..


Da acusação dos EUA


De acordo com a justiça norte-americana, Adriano Maleiane, “concordou” em não revelar dois empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). “Depois de o arguido Manuel Chang ter deixado o cargo, os conspiradores falaram ao novo ministro das Finanças sobre as garantias da MAM e Proindicus e que as transações não foram divulgadas ao FMI”, pode ler-se no memorando, assinado a 22 de julho pelos procuradores norte-americanos, que não mencionam o nome de Adriano Maleiane.

Contundo referem que “o novo ministro concordou em continuar a não divulgar a MAM e Proindicus ao FMI”.

A acusação norte-americana alterou a palavra “conspiradores” para “co-conspiradores” depois de introduzirem o “novo ministro das Finanças” nos argumentos.

A informação acrescenta que os “co-conspiradores também concordaram em omitir que a Ematum e Proindicus eram incapazes de cumprir os pagamentos de juros e em esconder informação aos auditores da Ematum”.

O Affidavit se opõe à defesa do principal suspeito e arguido na acusação do Governo americano, o 'empresário' libanês Jean Boustani, acusado como principal maestro do calote que lesou o Estado moçambicano.

“No julgamento, o Governo vai demonstrar que Boustani e os seus co-conspiradores sabiam que Moçambique não revelou as finanças da Proindicus e MAM (…) ao FMI”

.

A Proindicus era suposto realizar vigilância costeira, a Ematum a pesca do atum e a MAM visava a construção e manutenção de estaleiros, segundo os procuradores.


Hora da retaliação??


Adriano Maleiane, que é altamente respeitado e que duas décadas antes tinha lutado contra o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para tentar impedir umas privatizações foi nomeado ministro das Finanças em 2015 para tentar limpar a sujeira e lidar com os credores e doadores.

Quando se deu o calote que até aos dias correntes deixa meio mundo estupefacto, Maleiane gozava do seu descanso merecido. A politica desastrosa emanada de Washghiton DC na indústria do caju que deixou milhares de desempregados no pais, teve em Maleiane, então governador do Banco de Moçambique, um dos oponentes. O celebrado jornalista Carlos Cardoso foi quem mais escreveu contra esse desastre.

No documento intitulado “Country Assistance Strategy” (CAS)- Estrategia de Ajuda ao País) de 1995, o FMI enumerava quatro condições que Moçambique devia satisfazer para obter empréstimpos de 400 mihões de doláres.

Das quatro, a exigencia mais ultrajante era de que o país tinha que acabar com a protecção da industria do processamento de Caju. À esta exigência das instituições da Breton Woods a empresa estatal de Caju foi privatizada sob uma pretensa alegação de proteção emanada apartir de DC, que era de garantir que a Castanha não seria exportada em bruto na totalidade para India.

A conclusão, embora não explicíta era de que o pais não tinha nada a perder a insdustria inteira e exportar toda a castanha para a india. Maleiane terá se batido, junto dos argumentos da Associação das Indústrias de Caju (AICAJU) que demolia todas as alegações do documento do Banco Mundial.

A AICAJU acreditava que o BM estava simplesmente a ser manipulado por poderosos interesses na indústria de caju indiana que queriam eliminar a concorrência.

A AICAAJU e o sindicato de caju (SINTIC) fizeram uma frente unida contra os esforços do BM para tirar a proteção da indústria, que visavam que a adopção da politica do BM resultaria a curto praso, na paralização da indústria e na perda de milhares de empregos, como veio aliás, a acontecer.

Pode ser que a estas alturas, os poderosos senhores americanos, tenham achado oportuno “dar o troco” a um Maleiane que foi intrasigente as suas pretensões...


Quem é Adriano Afonso Maleiane?


Nascido ao sexto dia do mes Novembro de 1949, na Matola, província de Maputo, é Licenciado em Economia pela Universidade Eduardo Mondlane, e Mestre em Economia Financeira pela Universidade de Londres.

Maleiane iniciou a sua carreira bancária em 1973, na Casa Bancária de Moçambique, tendo passado depois para o Banco Comercial de Angola em 1974. Em 1977, no quadro da reestruturação da Banca, foi transferido para o Banco de Moçambique, tendo desempenhado várias funções, sendo de destacar as de Chefe de Sector de Importações e Exportações, Director de Crédito e Transportes, Administrador, e Vice-Governador. Por Decreto Presidencial, em 1983 foi colocado na Empresa Estatal Citrinos de Maputo e um ano depois nomeado Director Nacional de Economia Agrária, no Ministério da Agricultura, até 1986 altura em que retomou a sua carreira bancária no Banco de Moçambique. Foi Governador do Banco de Moçambique de 1991 até a sua reforma em 2006. Drigiu o processo de transformação do Banco que, até 1991, desempenhava também a função de banco comercial, para as funções exclusivamente de Banco Central. Participou na negociação da dívida externa no quadro do clube de Paris e Londres e no processo que conduziu a selecção de Moçambique como beneficiário do Programa de redução da dívida (HIPC) e, posteriormente, perdão de uma parte significativa da dívida moçambicana. Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Fundo de Pensões do Banco de Moçambique – Kuhanha. É Presidente do Conselho de Administração, não executivo, da empresa Maleseguros-Correctores de Seguros, Lda, Administrador, não executivo, das empresas Tongaat Hulett e das três empresas do Grupo Sasol em Moçambique. É Presidente do Conselho de Administração da Visabeira, Docente Assistente e Regente da cadeira de Sistema Financeiro na Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane. No âmbito de Condecorações e Louvores, recebeu do Governo francês a Medalha de Cavaleiro da Ordem Nacional de Mérito em 1998 e a da Presidência da República de Moçambique, a Medalha Eduardo Mondlane de segunda ordem e o Diploma de Honra pelos serviços prestados ao País, ambas em 2005.

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